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A serpente mostrava ser o que ela ainda mostra ser

Nas entrelinhas do paraíso e os detalhes inéditos de uma conversa perigosa

A serpente mostrava ser o que ela ainda mostra ser
Foto: bebodywise / psychologytoday - Edição por Indicatu

A situação não estava nada boa para uma tartaruga que se via aflita nas poderosas mandíbulas de um jacaré que tentava, sem sucesso, quebrar sua carapaça para fazê-la em pedaços. O contato dos dentes do réptil com as placas da carapaça tornava o processo de mastigação escorregadio e estressante; após várias tentativas frustradas, o jacaré desistiu da refeição.

Perto dali, o evento que se passava não era menos dramático para um ouriço-cacheiro, que levava patadas de uma onça-pintada que queria, a todo custo, romper seus espinhos para devorá-lo vivo. Cansada, e com as patas e o focinho cheios de espinhos expelidos pelo ouriço, a onça também desistiu do prato e foi para um banco de areia para um "bate-papo" com o jacaré.

Ali, os predadores fracassados começaram a criticar as presas. O jacaré ria e esculachava a tartaruga, dizendo que ela era antissocial, fechada e de “casco duro”, e que por isso nunca iria fazer amigos. A onça-pintada seguiu na mesma linha, criticando o ouriço-cacheiro ao dizer que ele era um sujeito "espinhento", que ninguém se aproximava dele e que seu jeito de ser mantinha os outros afastados. Outros animais da floresta se juntaram ao escárnio, não por concordarem, mas por medo daqueles que, vez por outra, faziam deles seu prato predileto.

O ouriço, indignado, condenava a atitude do leão, que via toda aquela injustiça sem nada fazer. A tartaruga, com toda sua paciência, tentou acalmá-lo dizendo que “pior estava ela”, com o casco todo mordido, mas grata por estar viva. Mas o ouriço não quis saber e continuou afrontando o leão, que, com toda sua calma, parecia nem ligar para as lamúrias daquele infeliz. Assim, o ouriço-cacheiro foi-se embora, todo ouriçado. Já a tartaruga seguiu seu caminho para pôr seus ovos num lugar mais tranquilo.

Estigmas e as defesas dadas por Deus

Na vida, é inevitável levar mordidas e patadas de certos predadores e, de quebra, receber deles estigmas maldosos, habilmente elaborados para fazer o público crer que a vítima é, de fato, aquilo que se diz por aí. O ódio dos predadores tem, pelo menos, duas fortes razões: uma é que, às vezes, eles não conseguem matar a fome com a nossa carne; a outra é que, nessa peleja, ou quebram os dentes ou são traspassados.

Daí a razão de se estigmatizar o alvo, pondo em evidência suas defesas como se fossem “defeitos”, quando na verdade aquilo que os fere é a nossa proteção, criada pelo próprio Deus para esse fim. Na história real que abordaremos, veremos como duas pessoas não souberam aproveitar as defesas que tinham contra um predador indescritivelmente mau. Com apenas um ato, eles condenaram sua descendência e subjugaram a vida à semântica de que “ela é só isso”.

“Ora, a serpente mostrava ser o mais cauteloso de todos os animais selváticos do campo, que Jeová Deus havia feito.”

(Gênesis 3:1a) – TNM 1986.

O cenário do Éden e o reconhecimento dos animais

Sabemos que estamos falando de Adão e Eva. A afirmação de que a serpente "mostrava ser" cautelosa indica que havia um público observador. Para que Adão e Eva fizessem tal distinção, precisavam conhecer muito bem os hábitos de todos os animais.

Para Adão, isso não era problema, visto que foi ele quem deu nomes a todos os animais (Gênesis 2:19). Entendo que o tempo levado para esse trabalho foi de 49 anos e que, após isso, ele recebeu sua esposa, Eva. Portanto, Eva também passou a conhecer os animais por meio da instrução de seu marido. Adão, como cabeça e jardineiro do Éden, tinha muito a ensinar à sua esposa naquele cenário onde tudo era novidade. Contudo, as coisas começaram a mudar quando a serpente, até então apenas cautelosa, passou a "falar".

A estratégia do engano e a localização de Eva

“Assim, ela começou a dizer à mulher: ‘É realmente assim que Deus disse, que não deveis comer de toda árvore do jardim?’...”

(Gênesis 3:1b-3) – TNM 1986.

Se focarmos em Gênesis 3:3b, notamos algo interessante: Eva deu uma localização ao citar “a árvore que está no meio do jardim”. Isso sugere que ela talvez não estivesse ao alcance da vista da árvore no momento da tentação. Além disso, a serpente é descrita como um animal “do campo”, o que pode se referir a áreas fora do Éden plantado por Deus.

Os animais selvagens costumam evitar o contato humano. Se foi no campo que Eva foi encontrada, é porque aquela espécie havia chamado sua atenção. O Diabo, notando esse interesse, aproveitou o momento em que ela estava sozinha para lançar a dúvida. Após a conversa, o que era "mau" passou a ser visto como "algo para os olhos anelarem". Eva duvidou de Deus, sentindo-se decepcionada, como quem descobre uma traição. Em vez de conferir a fonte da nova informação, deixou a dúvida criar raízes até o momento do pecado.

Adão, Eva e a primeira menção ao engano

Ao ser questionada, Eva disse: “A serpente — ela me enganou”. Ela foi a primeira pessoa no universo a usar o verbo “enganar”. Ela sentiu na pele o real sentido dessa palavra. Já com Adão foi diferente, pois ele não foi enganado da mesma forma.

Jeová escolhe por meio de quem falar

Paulo destacou que "Adão não foi enganado, mas a mulher foi totalmente enganada" (1 Timóteo 2:12-14). O Diabo não abordou Adão diretamente, possivelmente porque Adão recebia instruções diretas de Deus e teria questionado a fonte da mentira.

Por que Adão pecou, então? Talvez por medo de perder Eva, a quem amava profundamente. Ele escolheu a companhia dela em vez da obediência a Deus. Eva, por sua vez, agiu com independência, decidindo por si mesma o que era bom ou mau. A sentença divina em Gênesis 3:16, mencionando que Adão a "dominaria", sugere que ela havia tentado inverter a ordem de autoridade estabelecida.

A serpente agindo hoje: protegendo o coração

O Diabo continua usando a mesma tática de seis mil anos atrás: lançar dúvidas na palavra de Jeová e contra aqueles por meio de quem Ele fala. Primeiro, ele tenta romper a carapaça do indivíduo; quando não consegue, tenta usar as próprias defesas da pessoa contra ela mesma.

O melhor conselho para não cairmos como Eva é o provérbio de Salomão:

“Mais do que qualquer outra coisa a ser guardada, resguarda teu coração, pois dele procedem as fontes da vida.”

(Provérbios 4:23) – TNM 1986.

O final da nossa história pode ser diferente se não dermos atenção à voz de "estranhos" que tentam minar nossa confiança no Criador.

FIM
Silvio Ramos
Redator na Agência Indicatu

Silvio Ramos

Especializado em comunicação e conteúdo digital.

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